11.8.08


Antes que o dia termine...



Eu quero poder ser tudo de melhor que possa ser
Para o meu bem e o de alguém.
Dar tudo de melhor que eu tiver,
E o que eu não tiver também.

Antes que o dia termine...
Eu espero ganhar um sorriso de presente,
Ou quem sabe até arrancar gargalhadas de alguém.
Todo dia, se eu puder, quero te fazer feliz.

Que caiba no meu dia
Tudo o que planejo - e preciso - fazer,
E se não couber,
Que eu me lembre que sempre haverá o dia seguinte.

Antes que o dia termine...
E eu, por ventura, me sinta exaurida, frustrada ou triste,
Que eu esqueça de todo o resto,
Menos da minha capacidade
De fazer brotar a felicidade em mim.

Fotografia e Texto: Roberta Simoni

Vá além das palavras...

# Postado por Roberta Simoni





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28.5.08


Luz e Trevas



Uma vez eu ouvi uma definição de uma sábia mulher sobre "Luz e Trevas" que nunca mais esqueci. Ela tentava me passar uma mensagem e para isso usou de metáfora para se fazer entender...

Explicou que algumas pessoas são da luz, outras das trevas. As pessoas das trevas não são necessariamente ruins, algumas delas simplesmente vivem na escuridão, têm sentimentos/pensamentos sombrios, negativos, pessimistas...

O que acontece é que normalmente as "pessoas das trevas" se aproximam das "pessoas da luz" porque são atraídas pelo brilho delas, e é desse brilho que elas precisam para clarearem suas vidas.

Em alguns casos, infelizmente, as trevas tentam apagar a luz. Em outros, felizmente, elas simplesmente precisam da luz para também se tornarem luz...

Cabe as pessoas da luz serem sábias o suficiente para entenderem quando podem iluminar e quando devem deixar que as pessoas das trevas encontrem outra luz que não as delas...

O importante é ter em mente que:
As trevas precisam da luz, mas a luz não precisa das trevas.

Texo e Fotografia: Roberta Simoni.

Vá além das palavras...

# Postado por Roberta Simoni





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1.2.08


"Eu não escrevo aquilo que quero,
Eu escrevo aquilo que sou..."


E quanto mais eu leio e conheço Clarice Lispector, mais eu me apaixono...
E tem como não se apaixonar?

Essa semana, mais uma vez, eu me insiprei diversas vezes, passei por várias situações que fizeram as minhas boca e alma esclodirem as palavras, vivi as mais variadas espécies de emoções, fiquei mais tagarela que o normal mas, não consegui escrever. A falta de prática é um problema... preciso corrigir isso.

Em suma: ler fragmentos de alguns livros da Clarice que já li e de outros que ainda quero ler, salvou a minha alma inquieta e sedenta de palavras e fez a tradução de mim mesma, como, por sinal, acontece com muito do que leio dela.

"A harmonia secreta da desarmonia:
Quero não o que está feito mas o que tortuosamente ainda se faz.
Minhas desequilibradas palavras são o luxo de meu silêncio.
Escrevo por acrobáticas aéreas piruetas -
Escrevo por profundamente querer falar.
Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio."

"As palavras me antecedem e ultrapassam, elas me tentam e me modificam, e se não tomo cuidado será tarde demais: as coisas serão ditas sem eu as ter dito."

"O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

"Aceitar-me plenamente? É uma violentação de minha vida. Cada mudança, cada projeto novo causa espanto:meu coração está espantado. É por isso que toda minha palavra tem um coração onde circula sangue"

"(...) Há impossibilidade de ser além do que se é -
No entanto eu me ultrapasso mesmo sem o delírio,
Sou mais do que eu, quase normalmente -
Tenho um corpo e tudo que eu fizer
É continuação do meu começo..."
A única verdade é que vivo.
Sinceramente, eu vivo!
Quem sou?
Bem, isso já é demais...."


Talvez isso ajude a entender o motivo de tanta identificação, talvez não, de todo jeito, para mim é como falar pelas palavras de alguém a quem tanto admiro.
E esses são só alguns poucos trechos de tantas obras memoráveis.

Se você começar a ler Clarice Lispector, você pode, quem sabe, começar a se conhecer ou, pelo menos, conhecer um pouco mais de você... mas cuidado, porque pode viciar.

Eu sei, parece "propaganda", mas é só uma admiração que hoje está um tanto quanto "empogada". :-)


Vá além das palavras...

# Postado por Roberta Simoni





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16.1.08


Mais do que fim...



Além do fim é aquela coisa que já acabou, mas continua existindo, seja por conveniência, por comodismo ou por medo.

Ontem, enquanto tomava banho, ouvia gritos, era uma briga de casal no prédio da frente, no apartamento quase em frente, no 14º andar. Toda a vizinhança podia ouvir, até porque, para facilitar, eles estavam brigando próximos à varanda, não demorou para formar uma platéia, cada qual na varanda de seu apartamento, assistindo de camarote o barraco.

Triste um casal chegar nesse ponto, mas não raro, infelizmente.

Depois que os gritos pararam e as nossas vidas voltaram ao seu fluxo normal, voltei à varanda para pegar um ar, ainda pensativa sobre o ocorrido, quando, de repente, me deparo com a mulher se debruçando sob a mureta da varanda, totalmente inclinada, na ponta dos pés. Pensei que fosse cena, que era só para assustar o cara... antes fosse!

Para o meu susto, ela rapidamente, como quem age sem pensar duas vezes, se debruçou na vidraça da varanda, colocou a primeira perna para fora, depois a segunda e quando, por fim, ficou pendurada pelos braços - a essa altura eu já estava gritando, inutilmente, como se eu pudesse de alguma forma ajudar com meus gritos, mas só fiz atrair os vizinhos curiosos - o marido veio correndo e puxou-a para dentro, pegou-a no colo, entrou, e então fechou a porta de vidro da sacada.

As cortinas se fecharam. Silêncio. Não houve aplausos, nem vaias, nem suspiros, nada. Só um aperto no meu peito.
Fiquei ali paralisada ainda por alguns minutos, incrédula, assustada com a cena que vira. Quase pude ver a moça se jogando daquela altura, e acredito mesmo que ela o teria feito se não fosse o marido ter chegado a tempo.

Fui dormir revendo aquela cena a todo instante e senti pena da minha "espécie".
Por que fazemos isso? Por que deixamos que as coisas saiam totalmente do nosso controle a ponto de por em risco o único bem que pertencemos de fato: nossas próprias vidas?

Por que não conseguimos dar um ponto final? Por que sempre acrescentamos mais alguns pontos e continuamos vivendo a base de reticências?

Todo mundo, em algum momento da vida, vai se deparar ou já se deparou com alguma situação assim, uma ou muitas vezes, seja na vida amorosa, profissional, enfim... sempre vai acontecer. O segredo é saber usar o ponto final. O problema é que o ponto final, nesses casos, vem acompanhado das reticências... essas mesmas que geram várias interrogações:

"Mas, e depois... como vai ser?"
"Será que vou conseguir...?"
"E se...? "

Um dos piores inimigos do ser humano é ter esse "dom" de protelar, de enrolar, de deixar para depois, e ir levando, empurrando com a barriga.
A vida mostra o tempo todo os ciclos terminando, e está sempre disposta a mostrar novos ciclos começando, o problema é que um depende diretamente do outro para acontecer.

É nessa hora que o medo maior aparece: o de se arriscar.
Quando você se arrisca, pode perder ou pode ganhar, mas é certo de que você sempre vai sair em vantagem se decidir se arriscar, só pelo fato de ter ousado mudar ou modificar alguma situação. Se ficar na inércia, você pode até achar que está fazendo bom negócio, mas além de ser pouco provável que isso aconteça, como você vai saber, se nunca se permitir arriscar?

Mude. Use um pouco menos as reticências e os pontos de interrogação e comece, aos poucos, a "pontuar finalmente".


Vá além das palavras...

# Postado por Roberta Simoni





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9.6.07


As pequenas coisas...


Passo tanto tempo atribulada e atordoada com os meus afazeres que quando por fim páro, me dou conta da quantidade de coisas que deixo de vivienciar e observar...

Hoje, ao passear pela cidade onde nasci e cresci, encontrei a minha avó materna que, na verdade é mais que uma avó, é a minha segunda mãe e a madrinha que eu escolhi.
Eu andava distraída quando ouvi uma voz familiar me chamando, quando olhei para trás, era vovó, cheia de sacolas e bolsas. Parei, abracei-a, enchi-a de beijos, e depois de deixá-la me mimar - como de costume - dizendo que eu estava ótima naquela roupa e que o meu cabelo estava enorme (mesmo tendo me visto no dia anterior), perguntei o que ela fazia com tantas sacolas, passeando por aí, sozinha...

Ela me respondeu:
"Ah! Fui comprar o presente de dia dos namorados do seu avó!"

Como a minha avó e o meu avô são unha e carne, perguntei por que ele não foi com ela. Minha avó, surpresa com a minha pergunta, disse:
"Beta, e desde quando presente de dia dos namorados se compra junto? E a surpresa? Assim perde a graça!"

Ainda disse que pediu ao rapaz da loja para embalar para presente, porque esse era o presente de dia dos namorados para o seu "eterno namorado", e que ao chegar em casa esconderia o embrulho com o presente na casa do zelador, que já havia combinado tudo com ele.

"São cinqüenta anos de casados, e nunca deixamos de fazer isso", ela concluiu, toda sorridente. Dei mais um monte de beijos nela, mandei outros tantos para vovô, e ela foi ansiosa para casa, esconder o presente.

Fiquei mais algum tempo ainda rindo sozinha e achando linda aquela cena que eu acabara de presenciar. Mais uma vez me peguei agradecendo à vida, e sem querer abusar dela (da vida), pedindo para que aquele momento se eternizasse, não só de maneira que eu pudesse pensar/lembrar dos meus avós sempre da maneira mais linda e maravilhosa, até porque isso já é fácil, mas que os meus avós fossem eternos. Coisa que eu sei ser impossível, pelo menos no plano físico.

# Postado por Roberta Simoni





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5.5.07


O quanto devo à vida...


Depois de assistir a programação da TV no domingo, dividindo a cama do quarto dos meus pais com eles, a minha irmã, e o nosso cão Théo, nos rodeando, querendo participar na bagunça, entrei no ônibus de volta para o Rio na manhã seguinte, chorando baixinho. Viajei observando o dia nascer, o sol aparecer, depois sumir, e por fim, a chuva cair. As lágrimas que eu deixava escapar eram como a chuva, silenciosa e fina, não causou desastres nem enchentes.

Na verdade, eu não chorei, apenas permiti que a minha alma entrasse em sintonia com o meu corpo, com o meu coração e os meus pensamentos.
E eu só sentia vontade de agradecer... agradecer a Deus, a vida, aos anjos, ou a quem quer que pudesse me escutar sem que eu tivesse que falar.

Naquele dia comum de domingo, eu me coloquei de fora e olhei para mim, ali, deitada entre meus pais, com a minha irmã deitada no meu colo, e me pus a pensar em quantas pessoas que já passaram, que passam ou passarão por esta vida sem sequer experimentar essa sensação, sem provar desse amor que aquece de qualquer medo, dor ou frio... sem viver um momento como esse, tão grandioso em sua simplicidade. Pensei também naquelas pessoas que são presenteadas com família/amigos/amores e passam pela vida sem se darem conta do quão sortudas elas são.

Por isso fica aqui a minha gratidão pela vida, pois é a ela que eu devo tudo de melhor, e de pior também, que já passei. Mas, que fique apenas o que tive/tenho de mais valioso, raro e intenso, já que isso supera qualquer mal que eu possa ter passado por aqui...

Sem dúvidas, o que eu vivi de melhor, faz de mim - se não a maior - uma de suas maiores devedoras.
E, a cada dia, vejo o quanto a minha divida aumenta com a vida...

# Postado por Roberta Simoni





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6.2.07


Na minha companhia...



Curtindo meu momento, meu canto, minha companhia, a sós com a voz da Ana Carolina...

Deliciando cada música, cada cifra, cada tom, cada ritmo, cada melodia, cada sentido...

Deixando a sacada escancarada e sentido tudo que entra junto com o vento... o cheiro da maresia, a saudade recíproca, o desejo veemente pelo melhor, a vida me chamando com um sorriso largo.

Deixando fluir todos os pensamentos... lembrando de todas as minhas buscas, de todos os meus rumos...

Sorrindo para cada sonho que passeia diante dos meus olhos e descobrindo quantos deles, que eu pensava já terem se transformado em pó, continuam genuínos e lindos.

Me vendo sentada ao meu lado, do mesmo jeito utopista de ser, conservada em cada devaneio maravilhoso...

Feliz por estar, por ter, por ser...

# Postado por Roberta Simoni





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8.1.07


Esperança é o que resta...


Minha irmã é católica, mas, contraditoriamente, é simpatizante da astrologia e, segundo ela, o ano de 2007 será um ano de grandes mudanças. O ano em que você terá a chance de se desvencilhar de algumas coisas e/ou pessoas que não estejam sendo positivas para você, e no caso de não conseguir livrar-se delas até 2008, elas se prolongarão na sua vida como empecilhos, durante um tempo maior...

Certamente ela extraiu essa informação de alguma revista feminina, porque sei que ela adora. As revistas, jornais e sites estão cheios de previsões... e as pessoas também.
Alguns já me disseram que anos que terminam com o número ímpar são sempre melhores, e eu intimamente espero que elas estejam certas.

Na verdade, acho que nós somos feitos de esperança. Todos nós, religiosos ou ateus, dos mais fervorosos aos mais céticos.
E ela, a esperança, sempre se renova, especialmente a cada 12 meses, exatamente como Carlos Drummond de Andrade descreveu - com perfeição - no texto sobre "O Tempo":

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente."


É desta forma que funciona. Mais um ano acaba e outro se inicia e, junto dele, grandes expectativas. Mas, no segundo dia do novo ano, tudo continua igual, a rotina continua a mesma, e você continua sendo a mesma pessoa do ano passado, só que com uma esperança a mais, algumas experiências e rugas a mais também e algum tempo a menos pela frente.

Quem dera se conseguíssemos ser tão renováveis quanto as nossas esperanças. E que, independente da calcinha amarela no Reveillon, da camisa e do vestido brancos, das flores para Iemanjá, das promessas para todos os santos e dos sete pulinhos nas ondas do mar, conseguíssemos realizar tudo que almejamos.

# Postado por Roberta Simoni





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21.12.06


A hipocrisia natalina...



Quando a época do natal se aproxima eu começo a notar os sinais da hipocrisia contaminando as pessoas.
Em qualquer lugar que você vá, com certeza encontrará alguém te desejando um "Feliz Natal", mesmo que você nunca tenha visto essa pessoa antes ela desejará que o seu natal seja feliz. Não importa. O que vale é que o espírito natalino esteja presente em cada coração.

O engraçado é que ato de desejar um "Feliz Natal" nem sempre é um desejo de fato. Normalmente a frase sai tão automaticamente como um "volte sempre" ou um "seja bem-vindo" ditas em lojas comerciais.

É claro que o mesmo exemplo não serve para os nossos parentes e amigos que, ao nos abraçarem dizendo a mesma frase, sinceramente nos desejam não só o um natal, mas uma vida feliz.

No entanto, existem ainda casos como daqueles que passam o ano inteiro em pé de guerra, é mãe que briga com filho, é filho que xinga a mãe, é pai que só lembra dos filhos no natal, é irmão que não fala com o irmão, é fofoca e disse-me-disse... mas na comemoração natalina estão todos unidos. Comemoração? União? União para comemorar a desunião?!? Não faz o menor sentido.

"Mas é natal... é tudo lindo, as pessoas se amam e o mundo é perfeito..."

Se Papai Noel não fosse mais uma criação capitalista que deu certo e foi adotada pela nossa cultura, eu escreveria uma carta ao bom velhinho pedindo que o espírito natalino reinasse durante todo o ano.

Seria incrível ver as pessoas se abraçando e trocando palavras de fraternidade após o Natal... em janeiro, fevereiro, março, e todos os meses seguintes. E que os mortos de fome também fossem lembrados nos outros dias do ano, afinal o estômago não pede por comida só na noite natalina...

Dessa forma, acho que o natal soaria menos falso.

# Postado por Roberta Simoni





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4.12.06


Ainda aprendendo a voar...



Por mais que, às vezes, a saudade se transforme num sentimento quase insuportável, e me bata um leve desespero diante de tantos obstáculos a serem transpostos, eu não penso em desistir.

Parece que foi ontem que eu passava noites em claro, sonhando acordada, arquitetando meu futuro. Planejando passar no vestibular, entrar para a faculdade, morar numa outra cidade, conseguir um novo emprego, e conquistar minha tão sonhada independência.

Ao contrário da maioria dos casos que conheço, a minha sede por liberdade e independência nunca esteve vinculada a nenhum tipo de problema dentro de casa, muito pelo contrário, sempre tive um relacionamento totalmente diferente do padrão com a minha família que, mesmo sabendo dos riscos que eu correria ao partir, nunca tentou vetar meus sonhos, tampouco tentou cortar as minhas asas quando elas começaram a crescer...

No dia em que eu fui embora, meus pais me presentearam com palavras. Não poderia existir presente melhor, especialmente naquele momento...

Cada um me escreveu uma carta, os dois, com seus jeitos únicos, me disseram de maneira distintas, exatamente a mesma coisa... com palavras de estímulo e conforto, me impulsionaram a seguir em frente, sempre com a certeza de que eles estariam no mesmo lugar, com o mesmo amor e confiança que sempre tiveram em mim. E todas as vezes que precisei desse amor e precisei me sentir segura foi para lá que eu corri, como sei que ainda correrei muitas vezes, porque por mais que eu seja/esteja feliz, só sou completa quando compartilho a vida com eles.

O estranho de tudo é não sentir falta do lugar onde eu nasci, onde cresci e passei por tantas fases. Na verdade, acho que eu era uma "estranha no ninho" e hoje o único laço que tenho com aquela cidade é a minha família e alguns poucos amigos que restaram.

Quando me vejo diante de novos problemas, longe de "casa", longe dos meus maiores amores, e penso em voltar ao lugar onde eu me sentia protegida, eu "despenso" em frações de segundos. O meu coração me diz que lá não é o meu lugar. Pode ser que seja um dia, mas não agora.

Breakaway (tradução)
Kelly Clarkson

Composição: Avril Lavigne

"Cresci numa cidade pequena
E quando a chuva ia cair
Eu ficava na minha janela
Sonhando com o que poderia ser
E se eu terminasse feliz
Eu rezaria

Tentando ao máximo alcançar
Mas quando eu tentava falar,
Sentia como se ninguém pudesse me ouvir
Queria fazer parte daqui
Mas algo parecia tão errado aqui
Então eu rezava
Eu poderia me libertar

Eu abrirei minhas asas e aprenderei a voar
Eu farei qualquer coisa para tocar o céu
E farei um desejo, aproveitarei uma chance,
Mudarei e me libertarei
Fora da escuridão em direção ao sol
Mas eu não esquecerei todos os que eu amo
Me arriscarei, aproveitarei uma chance,
Mudarei e me libertarei

Quero sentir a brisa quente
Dormir debaixo de uma palmeira
Sentir o agito do oceano
Embarcar num trem veloz
Viajar num avião a jato
Pra bem longe
E me libertar

Eu abrirei minhas asas e aprenderei a voar
Eu farei qualquer coisa para tocar o céu
E farei um desejo, aproveitarei uma chance,
Mudarei e me libertarei
Fora da escuridão em direção ao sol
Mas eu não esquecerei todos os que eu amo
Tenho que me arriscar, aproveitar uma chance,
Mudar e me libertar

Predios com centenas de andares
Rodando em portas giratórias
Talvez eu não sei para onde elas irão me levar, mas
Tenho que continuar, e continuar
Voar, me libertar

Eu abrirei minhas asas e aprenderei a voar
Apesar de não ser fácil lhes dizer adeus
Tenho que me arriscar, aproveitar uma chance,
Mudar e me libertar
Fora da escuridão em direção ao sol
Mas não esquecerei o lugar de onde eu vim
Me arriscarei, aproveitarei uma chance,
Mudar e me libertar
Me libertar"

# Postado por Roberta Simoni





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1.12.06


Sex and the City



Eu já falei aqui sobre como o amor e o ódio conseguem andar lado a lado. Hoje vou contar como eu eu notei que emoção e irritação podem se intercalar muito bem também...

Comecei a acompanhar o seriado "Sex and the City" há aproximadamente um ano e, há dois meses, depois de assistir quase todos os episódios, faltando apenas o último DVD da última temporada, tenho ido à Blockbuster semanalmente e o mesmo está sempre alugado. Em uma das minhas visitas à locadora perguntei por ele ao atendente, que me respondeu, dizendo que estava alugado e que seria entregue ainda naquele dia até a meia-noite. Cheguei a voltar lá no dia seguinte pela manhã e nada...

Lá pela sétima ou oitava vez, insistentemente, voltando à procura dele e, é claro, não o encontrando, falei com o mesmo atendente, fiz a mesma pergunta e ele me deu a mesma resposta, o que me fez questionar o por quê de todo o meu bairro estar assistindo os últimos capítulos de "Sex and the City", me certificando do tamanho do meu azar. Não era possível que eu sempre chegasse depois dos meus vizinhos...

Por sorte, uma das atendentes da loja prestava atenção no nosso diálogo e nos interrompeu dizendo estava havendo um engano. Abriu o computador e mostrou ao atendente que não havia nada alugado. Na verdade, o DVD estava com defeito e indisponível para a locação. Que ótimo... e durante todo esse tempo, eu entrando e saindo da loja de mãos vazias, afinal eu estava "em busca do DVD do nunca"... nunca esteve lá.

Provavelmente, para o atendente, foi mais fácil dizer que o meu tão desejado e caçado DVD estava alugado do que ler a informação correta que o computador mostrava.

Nessa hora você enxerga a metade do copo vazio ou a metade dele cheio?
Tentei ver a metade do copo cheio, afinal, eu não estava azarada e sim mal informada.

Minha saga praticamente chegou ao fim hoje, quando consegui encontrar o "meu precioso" numa outra locadora. Mal pude esperar chegar em casa. Abri a porta, corri para o banho, comi qualquer coisa, me enfiei debaixo dos lençóis, apaguei as luzes, abri a janela para ouvir o barulhinho delicioso da chuva lá fora e liguei minha TV. Foi um clima perfeito entre mim e ele, o DVD...

Talvez estivesse mesmo perfeito demais para ser verdade: uma noite livre só para mim, Samantha, Carrie, Charlotte e Miranda...
No meio do último e longo episódio, totalmente hipnotizada e deixando uma lágrima escorrer aqui e outra ali, o DVD simplesmente travou. Depois de retirá-lo quatro vezes para limpá-lo, consegui assistir o último capítulo em "picadinhos", felizmente vi o suficiente para me divertir, me emocionar e xingar todas as vezes que ele travava novamente.

Não se trata simplesmente de um bom seriado sobre o cotidiano de quatro mulheres, e não foi só uma questão de identificação total com situações e personagens. A maneira como as histórias são contadas, as cenas que tantas vezes dispensam palavras e as palavras que tantas vezes dispensam as cenas, o tornam especial. Em cada episódio existe um toque de vida, de humor, de emoção, de sensibilidade, de encanto e realismo. O texto e fotografia são brilhantes, e fazem com que as mensagens consigam ser transmitidas sem o menor esforço... isso sem falar nas maravilhosas atuações!!!

A grande novidade, para mim, é conseguir acompanhar um seriado inteiro e chegar ao final sem me decepcionar. Gostei muito da experiência...

Temo que não aconteça o mesmo ao chegar no fim de Lost... a terceira temporada já está quase na metade sem nenhuma pergunta ter sido respondida e, para piorar, a cada capítulo, novos questionamentos se acumulam. Apesar de serem estilos completamente diferentes, a qualidade é equivalente e, por isso, a comparação é válida.

Para quem ainda não experimentou assistir "Sex and the City", fica aqui a minha sugestão. Se eu pudesse aproveitar um pouquinho mais do meu tempo, com certeza "valeria a pena ver de novo"...




Vá além das palavras...

# Postado por Roberta Simoni





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29.11.06


"Beta, atualiza o Blog logo!!!"


E foi assim que surgiu uma nova comunidade no orkut, criada pela querida amiga Gaby...
Eu sei, ela tem razão. Realmente deixo a desejar muitas vezes, e o pior de tudo é que nos últimos tempos o que não me falta é história para contar, mas tempo acaba sendo sempre um problema.
Nas duas últimas semanas eu tenho ido "além das palavras" apenas na faculdade, que já na reta final, naturalmente, passou a exigir muito mais de mim.

Meu último texto sobre a "arte de dormir" demostra claramente o meu cansaço. Acho que fim de ano é complicado para todo mundo. Prazos a serem cumpridos, metas a serem alcançadas, tarefas a serem finalizadas.
Eu, particularmente, conto os dias para a chegada de 2007 que, sem dúvidas, será um ano definitivo para mim. Termino a faculdade e começo uma nova fase, as expectativas não poderiam ser maiores.

Já me sinto preparada para o futuro, o mesmo futuro que sempre enxerguei com entusiasmo, curiosidade e, principalmente, desconfiança e temor.

Que eu não perca a coragem e a força, porque eu sei... ainda tenho um mundo inteiro para enfrentar. Já me conformei com o fato de que a vida nunca se cansará de me desafiar...

# Postado por Roberta Simoni





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21.11.06


A arte de dormir...



Houve um tempo na minha vida em que eu achava que dormir muito era coisa para pessoas que não se importavam em viver a vida com intensidade. Depois de algum tempo, comecei a achar que quem dorme muito é porque não é ocupado o suficiente. Eu estava sempre tão atordoada que sono nunca foi prioridade. No fundo, talvez eu achasse que dormir era coisa para gente velha, que não tinha mesmo o que fazer, então dormia para não sentir o tempo passando.

Bom, talvez eu tenha envelhecido rápido demais, porque eu continuo querendo viver a vida intensamente e a minha rotina se tornou ainda mais atordoada, mas o ato de dormir tornou-se, sem sombras de dúvidas, algo realmente significativo e fundamental na minha vida.

Noites mal dormidas, interrompidas ou insones atualmente me desgastam e enfraquecem, e sempre surgem seguidas de uma verdadeira expectativa pela noite seguinte... ela precisa chegar logo para que eu possa desfrutá-la da melhor maneira possível, já que a noite anterior foi desperdiçada. É como ficar ansiosa por uma festa ou por uma viagem...

Naquele tempo, quando o fim de semana chegava e eu aproveitava para perder a hora de acordar, quando eu despertava e percebia que metade do dia havia passado e eu havia "perdido" dormindo, me sentia um fracasso. Hoje, quando eu consigo acordar depois do meio-dia me sinto o ser humano mais realizado do mundo...

Dormir não é simplesmente o ato de fechar os olhos e deixar o corpo adormecer, o universo do sono envolve muito mais coisas que nós, seres limitados, somos capazes de imaginar. Ou vocês acham que os sonhos acontecem por nada? De alguma forma, a alma precisa que o corpo durma. Então, que outra explicação teria para o fato de passarmos quase metade das nossas vidas dormindo?

Dormir, afinal, é uma arte incrível, que poucos conseguem desempenhar tão bem quanto eu... ;-D

# Postado por Roberta Simoni





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19.11.06


Eu a ouvi tocando na rádio e, imediatamente, me tocou a alma...

Eu e a Vida
Jorge Vercilo

"Vem me pedir além do que eu posso dar
É aí que o aprendizado está
Vem de onde não sonhei me presentear
Quando chega o fim da linha e já não há aonde ir
Num passe de mágica
A vida nos traz sonhos pra seguir
Queima meus navios pr'eu me superar
Às vezes pedindo
Que ela vem nos dar o melhor de si

E quando vejo, a vida espera mais de mim
Mais além, mais de mim
O eterno aprendizado é o próprio fim
Já nem sei se tem fim
De elástica, minha alma dá de si
Mais além, mais de mim
Cada ano a vida pede mais de mim
Mais de nós, mais além

Vem me privar pra ver o que vou fazer
Me prepara pro que vai chegar
Vem me desapontar pra me ver crescer
Eu sonhei viver paixões, glamour
Num filme de chorar
Mas como é Felini, o dia-a-dia
Minha orquestra a ensaiar
Entre decadência e elegância, zique-zaguear
Hoje, aceito o caos.

E quando vejo, a vida espera mais de mim
Mais além, mais de mim
O eterno aprendizado é o próprio fim
Já nem sei se tem fim
De elástica, minha alma dá de si
Mais além, mais de mim
Cada ano a vida pede mais de mim
mais de nós, mais além."

# Postado por Roberta Simoni





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14.11.06


Minha introspecção...

Não vai durar muito, apesar de eu achar que, desta vez, está demorando um pouco mais para passar, mas deve ser natural...

As palavras hoje, para mim, estão todas descartáveis.

# Postado por Roberta Simoni





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Não sou mais a mesma, afinal, as pessoas mudam. Aquela menina, de tantos anos atrás, que saiu de casa em busca de um sonho e se viu perdida na "selva", se transformou na mulher que conquistou sonhos e, no meio do caminho, acumulou tantos outros para colecionar e realizar. Aquela que não perdeu a essência, mas ganhou uma bagagem tão grande de experiências que a transformaram numa pessoa melhor, mais capaz e forte... Fotógrafa e jornalista, que tenta escrever como tal e, para isso, utiliza esse espaço. Que seja ele o meu ensaio, meu palco diante da platéia da vida, ou apenas as minhas letras e frases, muito além das palavras...

:: Atualmente...

Um filme: Duas Vidas
Um CD: Dois Quartos - Ana Carolina
Uma Música: Linox - Condição Humana
Um livro: As 100 Melhores Crônicas Brasileiras
Um assunto: Fotografia
Um texto: ...

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::Créditos